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Miriam Mambrini - Pássaros Pretos

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Miriam Mambrini - Pássaros Pretos - Editora 7 Letras - 200 Páginas - Lançamento: 20/06/2017 (visite aqui a página oficial da autora).
Uma trama criativa, personagens bem caracterizados e diálogos precisos na melhor tradição de Rubem Fonseca e Luiz Alfredo Garcia-Roza, autores que ganharam espaço na literatura nacional com o romance policial, um gênero nem sempre reconhecido pela crítica, mas adorado pelo público. De fato, Miriam Mambrini neste seu décimo livro, nos mostra mais uma vez como sabe contar uma boa história e manter o nosso interesse da primeira até a última página (ler resenhas de A Bela Helena e Vícios Ocultos). Em Pássaros Pretos, o leitor é levado por uma narrativa rápida e cinematográfica, de capítulo em capítulo, na investigação de um crime por meio de uma sequência de eventos que tem início quando a jovem e sensual protagonista Íris Flora é comunicada em Paris da morte de seu pai, enforcado numa viga em sua casa de praia em Cabo Frio, Rio de Janeiro. A hipótese de sui…

Orhan Pamuk - Uma Sensação Estranha

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Orhan Pamuk - Uma Sensação Estranha - Editora Companhia das Letras - 592 Páginas - Tradução  indireta de Luciano Vieira Machado com base nas edições inglesa e espanhola - Ler aqui um trecho disponibilizado pela Editora (Lançamento no Brasil: 30/03/2017).
Novamente a cidade de Istambul é a grande personagem do romancista Orhan Pamuk, prêmio Nobel de Literatura 2006. Localizada entre a Europa e a Ásia e conhecida no passado como Bizâncio e Constantinopla, durante séculos assimilou diferentes culturas, tendo feito parte dos impérios Romano, Bizantino e Otomano até ser incorporada à República da Turquia em 1923, como parte das reformas políticas implementadas por Mustafa Kemal Atatürk (1881-1938), quando perdeu o status de capital para Ancara. Istambul é recriada pelos olhos de Orhan Pamuk em alguns romances anteriores como O Livro Negro, O Museu da Inocência e, principalmente, na sua autobiografia Istambul onde a história de sua vida se confunde com a da cidade e é destacada a melancoli…

Lee Jeffries - Lost Angels

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Não há como ficar indiferente aos anjos perdidos de Lee Jeffries. O fotógrafo inglês se dedica há alguns anos a retratar os moradores de rua na Europa e Estados Unidos em imagens poderosas de luz e sombra e alta carga dramática. Segundo declaração de Jeffries nesta matéria do site Time Lightbox, não é fácil deixar a emoção de lado quando se fala com essas pessoas e muitas vezes ele começa a chorar quando processa as imagens no computador. O que teria levado o fotógrafo a se especializar nesta categoria tão peculiar da fotografia de rua? Divulgar imagens que normalmente as pessoas evitam ou fingem não ver em seu cotidiano. Os retratos não procuram esconder as marcas do sofrimento dos personagens anônimos mas, ao mesmo tempo, conferem estranha dignidade aos modelos.

As fotos em preto e branco parecem funcionar ainda melhor neste caso, criando uma atmosfera irreal, quase religiosa, e nos fazendo imaginar a biografia de cada um desses homens e mulheres invisíveis para a sociedade. A histór…

Sheyla Smanioto - Desesterro

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Sheyla Smanioto - Desesterro - Editora Record - 304 páginas - Prêmio Sesc de Literatura 2015, Prêmios Jabuti e Biblioteca Nacional 2016, Finalista do Prêmio São Paulo de Literatura 2016.
Tinhosa essa jovem Sheyla Smanioto, ainda nem completou trinta anos e já é dona de uma linguagem forte e inovadora, inspirada na melhor tradição de autores como Rachel de Queiroz, Graciliano Ramos e Guimarães Rosa. No entanto, não repete em nada o caminho já percorrido pelos clássicos, ela prefere escrever com coragem e voz própria sobre os temas, estes sim, infelizmente, ainda os mesmos na sociedade brasileira, os eternos movimentos migratórios que apenas transferem a miséria e a exclusão de grandes parcelas da população do interior para a periferia marginalizada das cidades, a violência doméstica diária contra a mulher e um estado de indigência permanente do povo, difícil de remediar porque é o reflexo de uma fome ainda maior, a fome de dignidade e educação. O texto de Sheyla vem carregado de imagens…

Longlist do Man Booker Prize 2017

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Divulgada a Longlist com os 13 finalistas da edição 2017 do Man Booker Prize. Este ano a competição vai ser bem difícil. Começando com "4 3 2 1", o último lançamento de Paul Auster, que interrompeu um período de sete anos sem publicações com este romance de 880 páginas na versão do mercado inglês. A indiana Arundhati Roy não deixou por menos, fazendo seus fãs esperarem vinte anos pelo segundo romance depois do consagrado (inclusive com o Booker de 1997) "O Deus das Pequenas Coisas". O premiado americano George Saunders (PEN/Malamud Award, Folio Prize) tem a chance de conseguir o Booker pela primeira vez, um feito ainda inédito em sua carreira. Ali Smith já foi finalista por duas vezes, quem sabe agora. Zadie Smith dispensa apresentações e já é bastante conhecida do leitor brasileiro. Para terminar esta rápida seleção dos seis favoritos, na minha avaliação, o norte-americano Colson Whitehead com um romance vencedor do National Book Award e Pulitzer, já traduzido e …

A arte de escrever crônicas

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Já notaram como o brasileiro é um mestre na arte de escrever crônicas? Temos uma habilidade inata de expressar opiniões sobre os mais variados temas, alguns bastante complexos, de uma forma leve e bem-humorada em poucos parágrafos. A crônica é um texto que, por mais interessante que seja, já nasce predestinado a uma breve existência nos meios de comunicação impressos ou digitais, além da ameaça de se tornar precocemente datado, devido à velocidade do noticiário atual, principalmente no campo político, onde novas revelações mudam as expectativas e opiniões polarizadas do grande público em poucos dias ou até mesmo horas.

O que dizer então das colunas de crônicas semanais, onde o autor tem a responsabilidade de capturar a atenção do exigente leitor, rivalizando com a injusta competição da televisão, redes sociais e, mais recentemente, dos famigerados grupos de WhatsAppp que produzem uma enxurrada de notícias sem o menor compromisso com a veracidade, mas que fisgam o inadvertido usuário pe…

Explicação da Eternidade, um poema de José Luís Peixoto

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O escritor português José Luís Peixoto já é um nome conhecido no Brasil devido ao romance "Galveias", vencedor do Prêmio Oceanos 2016 (antigo Portugal Telecom de Literatura) e inspirado na sua terra natal, uma aldeia da região do Alentejo no interior de Portugal com pouco mais de 1000 habitantes, onde a modernidade da vida dos grandes centros urbanos ainda não chegou. Ler aqui a resenha completa do livro no Mundo de K. 

Agora, com o recente lançamento de "A criança em ruínas", primeiro livro de poesias de Peixoto em nosso país, temos a chance de conhecer um pouco mais do seu fascinante trabalho. Selecionei o poema abaixo, "Explicação da Eternidade" no site oficial do autor, vale a leitura para esquecer um pouco do tempo, ou da sua falta.
Explicação da Eternidade

devagar, o tempo transforma tudo em tempo.
o ódio transforma-se em tempo, o amor
transforma-se em tempo, a dor transforma-se
em tempo.

os assuntos que julgámos mais profundos,
mais impossíveis,…

Acervo online de Pixinguinha

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Houve um tempo de rara inspiração na música instrumental brasileira em que a união do folclore com a influência clássica europeia propiciaram a criação de um requintado estilo musical que viria a ser conhecido como chorinho. Músicos como Ernesto Nazareth (1863-1934) e Chiquinha Gonzaga (1847-1935), dotados de extremo virtuosismo, criaram no século XIX o movimento que seria consagrado por meio de um dos maiores compositores brasileiros, o instrumentista, arranjador e maestro Alfredo da Rocha Vianna Filho, vulgarmente conhecido como Pixinguinha (1897-1973). O IMS lançou um site com centenas de canções, incluindo 40 músicas inéditas, documentos, depoimentos, discografia para audição online, recortes de críticas, fotografias e cadernos de anotações, somando mais de 9 mil peças — todas elas pertencentes ao acervo que está sob cuidado da instituição desde 2000. O site é comemorativo  dos 120 anos de nascimento de Pixinguinha, completados em abril de 2017, reunindo farta documentação sobre s…

As 20 capas de discos que marcaram época

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No tempo dos discos de vinil, a composição gráfica das capas atuava como um complemento ao conceito musical do álbum e a indústria fonográfica dependia muito da empatia do público com essas capas para impulsionar as vendas em um processo parecido com o que ocorre com os livros no mercado editorial de hoje. A preocupação com o acabamento e a originalidade das capas era tão grande que muitas delas acabaram ficando identificadas como símbolos dos movimentos musicais e culturais de cada época. Uma lista assim é obviamente muito subjetiva e, normalmente, guarda uma relação afetiva com a lembrança que associamos a períodos da nossa vida.

Os antigos discos de vinil sucumbiram à tecnologia do CD e hoje nem mesmo existe a ideia de um álbum completo com determinado conceito artístico. No entanto, assim como os bibliófilos resistem aos livros digitais, preferindo ainda o tradicional livro impresso, também existe um apelo de mercado pelo retorno da antiga tecnologia. A Sony, por exemplo, já anunci…
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